<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!-- generator="bbPress" -->

<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
>

<channel>
<title>FórumEmprego.net Topic: Ninguém canta o trabalho</title>
<link>http://forumemprego.net/</link>
<description>Falar sobre emprego, desemprego, trabalho, formação</description>
<language>en</language>
<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 09:26:13 +0000</pubDate>

<item>
<title>FD on "Ninguém canta o trabalho"</title>
<link>http://forumemprego.net/topic/ninguem-canta-o-trabalho#post-165</link>
<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 16:12:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>FD</dc:creator>
<guid isPermaLink="false">165@http://forumemprego.net/</guid>
<description>&#60;p&#62;Lucy Kellaway&#60;br /&#62;
28/03/09 00:05&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Na semana passada, o jornal &#38;quot;The Guardian&#38;quot; publicou a lista das mil melhores músicas pop escritas até hoje.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Há músicas sobre amor, sexo, desgostos, queixas e protestos, vida e morte. Sobre a vida no escritório, no entanto, a produção musical é escassa, ou melhor, residual. &#38;quot;9 to 5&#38;quot;, de Dolly Parton, é a única listada.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Pergunto por que carga de água a vida no escritório não serve de inspiração a músicas pop? Há séries televisivas sobre a vida no escritório, novelas e outras variantes, e até a sétima arte lhe dedica espaço, mas músicas sobre o assunto não. Os administrativos bem podem passar todo o santo dia ligados ao iPod ou a serviços gratuitos de &#38;quot;music stream&#38;quot; em estações de rádio personalizadas, que o invés é mentira. A inspiração nunca flui dos administrativos para os compositores.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Talvez isto aconteça por ser um tema aborrecido, chato, mas a justificação não pode ficar por aqui já que há músicas pop dedicadas a temas tão aborrecidos como dormir e beber chá. Tal como há muitas sobre o tédio, o aborrecimento.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A explicação mais plausível reside no facto de os compositores não terem experiência como administrativos e não sabem o que dizer sobre o assunto. Mas nem isto explica tudo. Freddy Mercury nunca foi um &#38;quot;rapaz pobre que matou um homem&#38;quot; nem se inibiu de cantar &#38;quot;Galileo, Galileo, Figaro - magnífico&#38;quot;. Como não o impediu de compor uma das mais famosas e bem conseguidas músicas pop de todos os tempos - &#38;quot;Bohemian Rhapsody&#38;quot;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Decidi aprofundar o assunto e descarreguei para o meu computador um novo serviço de &#38;quot;music stream&#38;quot;, o Spotify. Tenho ao meu dispor vários milhões de músicas e, depois de uma análise atenta, pude confirmar o que suspeitava: ninguém compôs uma música sobre folhas de cálculo nem apresentações em PowerPoint. Mas encontrei umas quantas sobre a vida no escritório, suficientes para elaborar uma pequena ‘playlist' que é muito agradável de ouvir.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;As duas primeiras músicas são dedicadas aos operários norte-americanos. Ao que parece, a vida dos trabalhadores manuais exerce maior fascínio nos compositores comparando com os trabalhadores não manuais ou de colarinho branco.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Há um punhado delas sobre trabalho árduo, mas as minhas preferidas têm a assinatura de Bruce Springsteen, &#38;quot;Working on the Highway&#38;quot;, e de Glen Campbell, &#38;quot;Wichita Lineman&#38;quot;. Uma é rude e brutal, a outra mais suave, mas a mensagem é comum: é duro ser operário. Bruce canta &#38;quot;é preciso procurar uma vida melhor&#38;quot;, enquanto Glen sussurra que precisa &#38;quot;de umas férias curtas&#38;quot;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A terceira música da minha lista é mais recente e poderia ocupar o primeiro lugar de uma nova categoria - &#38;quot;rock redundante&#38;quot;. &#38;quot;Don't You Love Me No More&#38;quot; fala-nos do despedimento e foi composta por Henry Priestman, que editou o primeiro álbum aos 53 anos. Parte da letra é conseguida, &#38;quot;Muitos chefes e poucos Índios/Eu, eu não passo de um vosso lacaio&#38;quot;, mas o refrão descamba porque soletrar D-E-S-P-E-D-I-D-O numa canção soa mal e embrulha a língua. Talvez R-E-S-P-E-I-T-O fluísse melhor...&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Em quarto e quinto lugar vêm duas músicas cantadas no feminino. Uma já a referi, Dolly Parton com &#38;quot;9 to 5&#38;quot;, que fala das manhãs em que bebe &#38;quot;uma chávena de ambição&#38;quot; que vai esmorecendo à medida que o dia avança: &#38;quot;Usam a nossa cabeça, mas nunca nos dão valor/É quanto basta para nos pôr loucos... se deixarmos&#38;quot;. Enigmático q.b. Ou quem sabe Dolly não fez o trabalho de casa, isto é, não pesquisou o suficiente sobre o assunto para poder aprofundá-lo. Em relação ao outro tema, &#38;quot;Morning Train&#38;quot;, cantado por Sheena Easton, ficamos a saber que o seu mais que tudo &#38;quot;apanha o comboio manhã cedo/Trabalha das nove às cinco/E repete o ritual no regresso&#38;quot;, mas ignoramos o que faz no horário de expediente.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;A música que ocupa o sexto lugar nunca foi editada, mas ganhou estatuto de culto no YouTube. Dois gestores do Bank of America decidiram pegar no tema &#38;quot;One&#38;quot; dos U2 e reformulá-lo. Revi o vídeo quando estava a escrever esta crónica - recomendo vivamente aos leitores que dêem uma espreitadela - e dei por mim a pensar que, afinal, não tem nada de cómico e tudo de pungente. Uma verdadeira mensagem da &#38;quot;outra vida&#38;quot;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Pergunto-me como pude passar ao lado da primeira vez que vi o vídeo, quando a mensagem é mais do que óbvia: a banca morreu. Devíamos ter percebido que alguma coisa estava mal no instante em que dois homens adultos resolvem subir ao palco e cantar solenemente &#38;quot;Um banco, um acorde, uma consciência, as três partilhamos para nos guindarem a padrões mais elevados&#38;quot;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;De regresso ao mundo da pop, em sexto há lugar um tema dos Kaiser Chief, &#38;quot;Oh my God&#38;quot;, em que a banda apela a uma maior alienação: &#38;quot;O teu nome vem numa chapa pregada na camisa/Um buraco que se alarga como uma fenda na placa tectónica/Não quero saber, pouco importa/O que quero mesmo é estar longe daqui&#38;quot;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Um sentimento que encontra eco na música &#38;quot;Taking Care of Business&#38;quot;, dos Bachman-Turner Overdrive, e sugere alternativa ao pesadelo da vida no escritório: compre uma guitarra em segunda-mão e aposte no auto-emprego. Estas músicas têm em comum a ideia um tanto grosseira de que é mau ter um emprego e de que é mau perdê-lo. Os trabalhadores são o máximo e os patrões umas bestas. Em suma, uma vida miserável e infeliz. Parece que isto é escrito e cantado por quem não conhece a realidade da vida num escritório.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Ao fim de uma pesquisa exaustiva descobri duas músicas que fogem a esta onda de negatividade. &#38;quot;Car Wash&#38;quot; de Rose Royce, que canta a felicidade dos trabalhadores da lavagem automática por verem que &#38;quot;há sempre carros a chegar&#38;quot; e a forma carinhosa como falam do empregador quando dizem que &#38;quot;o chefe não se importa que, de vez em quando, a gente se faça de parvos&#38;quot;.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Só descobri uma música que enaltece o trabalho e, curiosamente, também envolve água e lavagens. Chama-se &#38;quot;Cleaning Windows&#38;quot;e é composta por Van Morrison. &#38;quot;Sou dos melhores naquilo que faço/Sou feliz como lavador de vidros&#38;quot;. Aplaudo o sentimento, mas confesso-me surpreendida. Limpar janelas é das piores tarefas que conheço porque há sempre uma mancha algures a ameaçar o nosso esforço. Mas tenho esperança que Van Morrison ainda escreva uma música a explicar o segredo.&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;Exclusivo Financial Times&#60;br /&#62;
Tradução de Ana Pina&#60;/p&#62;
&#60;p&#62;&#60;a href=&#34;http://economico.sapo.pt/noticias/ninguem-canta-o-trabalho_6861.html&#34; rel=&#34;nofollow&#34;&#62;http://economico.sapo.pt/noticias/ninguem-canta-o-trabalho_6861.html&#60;/a&#62;
&#60;/p&#62;</description>
</item>

</channel>
</rss>

