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Busca desesperada por um novo emprego (1 mensagem)

ISADORA ATAÍDE
Desemprego. José Carlos e Sofia perderam o emprego há vários meses. Recebem o subsídio e temem o seu fim sem encontrarem alternativa de sustento. Ele tem 53 anos e ela 27, ambos não conseguem encontrar um posto de trabalho adequado à sua experiência profissional. José enfrentou a depressão e planeia abrir o próprio negócio. Ela "está" dona de casa e vai voltar a estudar. Como milhares de portugueses, eles não desistem
O Centro de Emprego de Seixal e Sesimbra está sempre a "mexer". A crescente desindustrialização e a baixa qualificação da mão-de-obra na região, para além da crise, ajudam a explicar os 7500 inscritos. "Fazemos o registo dos desempregados e uma entrevista para mapear o seu histórico profissional e as habilitações, de modo a verificar a melhor hipótese para cada pessoa. Realizamos cursos de qualificação", explica o director, Paulo Leite Ribeiro.

Qualificar através da certificação escolar e cursos de formação profissional, descobrir potenciais para que os indivíduos criem o seu próprio emprego a partir de subsídios do Estado a fundo perdido e encontrar postos de trabalho estão entre os afazeres dos 27 funcionários que atendem cerca de 100 pessoas por dia.

O trabalho em rede - com a autarquia, a Segurança Social, o sistema de saúde e de educação e organizações do terceiro sector - é a estratégia do centro para encaminhar os milhares de desempregados. "Há pessoas com problemas de saúde, inclusive psicológicos, que precisam de tratamento médico; as minorias étnicas e ex-reclusos, por exemplo, exigem atenção diferenciada e as pessoas que têm filhos pequenos necessitam de apoio para frequentar os cursos de qualificação escolar e profissional. Sem esta rede e estes serviços complementares não há como reinserir estas pessoas no mercado de trabalho", salienta Ribeiro.

No ano passado, houve um recuo de 3,7% nos desempregados inscritos no Centro de Emprego do Seixal, mas o recrudescimento da crise económica anulou o resultado. Só no mês de Janeiro o número de inscritos saltou de 6500 para 7500 pessoas. Actualmente, há 148 postos de trabalho a ser ofertados pelo centro, as vagas têm origem nos anúncios directos das empresas ao centro e em ofertas publicitadas na imprensa. A equipa investe em visitas nas empresas da região para potenciar as ofertas de trabalho e parcerias, a exemplo da qualificação profissional.

"É importante que os desempregados se mantenham activos e se requalifiquem. O trabalho do centro de emprego depende da conjuntura económica do País, mas também da articulação em rede da sociedade e das escolhas dos indivíduos", observa o director.

A criação do próprio emprego foi a alternativa para 57 trabalhadores inscritos no Centro do Seixal em 2008. A partir da sua formação e experiência profissional e dos fundos de incentivo do Estado, tornaram-se pequenos empresários. "É uma opção para as pessoas com boa qualificação profissional e empreendedoras que não encontram posto de trabalho. É preciso um bom planeamento do negócio e nós ajudamos em todas as etapas", sublinha Paulo Leite Ribeiro.

http://dn.sapo.pt/2009/03/13/dnbolsa/busca_desesperada_um_novo_emprego.html