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Como perder muito tempo sem sair do local de trabalho (1 mensagem)

Cansados das tecnologias de comunicação mas não passam sem elas. Assim se define parte da geração que nasceu e sempre conviveu com a Internet ou os telemóveis, com consequências inesperadas a vários níveis, pessoais e laborais.

O grupo etário nascido nos anos 80 é bastante activo nas redes sociais ou no uso de equipamentos móveis mas considera "uma boa ideia" parar de os usar e "não fica excitado com tudo o que está disponível" neste domínio, assegura John Horrigan, responsável de investigação do Pew Internet and American Life Project, que apresentou esta semana o estudo The Mobile Difference. Parar não é desligar-se totalmente, porque amigos e familiares usam igualmente e bastante as tecnologias para comunicarem, pelo que se sentem "obrigados" a usá-las.

O grupo etário acima dos 30 anos é diferente. Está confortável com a tecnologia e é sua entusiasta. Tem um "estilo de vida profissional" que se coaduna com o uso de "recursos digitais". Ora com muita desta gente em empresas onde computador, Internet e telemóvel são ferramentas generalizadas, qual o impacto da tecnologia no ambiente laboral? A resposta parece simples: é responsável por muitas horas perdidas e pouco produtivas.

O Wasting Time at Work Survey da Salary.com relativo a 2008 detectou que 64% dos mais de 2500 inquiridos (55% mulheres, 90% a tempo inteiro) desperdiçam diariamente uma hora ou menos no local de trabalho, 22% atingem os 120 minutos e 14% três ou mais horas. Para quase metade, a principal "actividade" em que perdem tempo é a usar a Internet (eram 44,7% num trabalho idêntico em 2005), seguida em 33% para "socialização" com colegas - crescimento face aos 23,4% de há quatro anos. Os funcionários com mais de 50 anos são quem desperdiça menos tempo.

Ainda nos Estados Unidos, outro inquérito em 2008 da consultora de segurança Voco apontou 25% do tempo de trabalho perdido em tarefas como o download ilegal de músicas e filmes.
A mesma percentagem foi detectada em muitos trabalhadores para a gestão diária do correio electrónico, segundo o The Radicati Group no Messaging & Collaboration - Business User Survey, 2008. Em média diária, recebem uma centena de mensagens e enviam quase 40, e apenas 16% são spam.

Outro elemento perturbador da produtividade são os jogos de computador, contribuintes líquidos para a arte da procrastinação, a protelação sistemática de tarefas que é necessário realizar.Piers Steel, professor da Universidade de Calgary (Canadá) e autor do livro The Procrastination Equation: Today's Trouble with Tomorrow, explicava recentemente que algumas profissões são mais propícias a estes adiamentos, sendo um problema actual, porque muitos empregos são "auto-estruturados", com os funcionários a gerirem o seu próprio horário de trabalho. Esta confusão de horários e mobilidade tecnológica dificultam igualmente a separação do espaço doméstico e profissional, gerando situações caricatas.

Um em cada dez utilizadores de banda larga já acedeu à Internet enquanto se servia da casa de banho, assegurou a Plusnet em Outubro. O fornecedor britânico de acesso à Internet revelou que a sala é o local preferido para usar a Internet em casa, mesmo à frente do escritório. 35% faziam-no igualmente no quarto de dormir.

A Plusnet não divulgou a metodologia ou o número de inquiridos para obter os resultados, mas, cruzando-os com outros, talvez não sejam exagerados.
Num estudo da Nokia nos Estados Unidos, 53% dos 500 inquiridos admitiram no ano passado atender o telemóvel ou ler e-mails na casa de banho. 24% revelaram já ter atendido o telemóvel enquanto mantinham relações sexuais. Para falar com o patrão?

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