Mulheres prometiam salário mÃnimo mais subsÃdios, mas exigiam pagamentos antecipados
00h30m
JOSÉ VINHA
Centenas de pessoas do Vale do Sousa e Baixo Tâmega foram lesadas num esquema de falsos cursos de formação profissional para cozinheiras e electricistas. Duas mulheres foram detidas e constituÃdas arguidas.
As suspeitas usavam indevidamente o nome de uma empresa municipal e de uma firma privada de formação para angariarem formandos para cursos que nunca existiram. O número de pessoas enganadas deverá ser muito superior àquele que se conhece - perto de duas centenas, a avaliar pela documentação apreendida pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Penafiel.
Os contactos com os candidatos a formandos eram feitos num apartamento da Avenida Soares de Moura, em Penafiel, onde mora a alegada mentora do esquema, uma mulher casada, de 34 anos, que está grávida e é vizinha da empresa privada de formação profissional.
A mulher terá posto em prática o estratagema em Janeiro deste ano, prometendo cursos excepcionalmente bem remunerados e financiados pela União Europeia. Aliciava as pessoas com a promessa de pagar 450 euros por mês, durante ano e meio, por apenas duas horas diárias (das 20 às 22 horas), entre segunda a sexta-feira. Dizia que os cursos seriam realizados nas empresas "Penafiel Activa, E.M.", da autarquia, e "Inforfiel - Formação Profissional, Lda", privada.
Aos inscritos era prometido, se fossem casados, além do salário mÃnimo, 100 euros para transporte e mais 100 euros por cada filho menor. Só que a mulher começava por exigir 35 euros de inscrição e aos casados pedia mais 100 para o subsÃdio de transporte e outros 100 para a ama. Garantia que o dinheiro adiantado seria devolvido pouco tempo depois. Para alargar o esquema recorreu a angariadoras locais, a quem pagava 34 euros por formando inscrito. Uma mulher, de 44 anos, dona de uma mercearia em Macieira, Lousada, terá conseguido 60 inscrições. É a segunda arguida.
Curiosamente, o curso de cozinheiro deveria começar anteontem, mas a promotora alegou que "não havia tachos, nem panelas", para começar as aulas, referiu ao JN Maria da Conceição Costa, 43 anos, de Lousada, uma das vÃtimas. Maria da Conceição e a cunhada, Maria de Fátima, 40 anos, souberam do caso pelo JN e nem queriam acreditar. As duas cunhadas foram contactadas pela dona da mercearia de Lousada, prima de ambas. Aliás, o esquema passava muito pela divulgação entre conhecidos e há famÃlias inteiras burladas.
"Não acredito que a minha prima tenha alguma coisa a ver com isso. É uma pessoa séria e acreditava naquilo. Andava muito animada por ir frequentar o curso de cozinheira", assegura Maria da Conceição. Também Maria de Fátima defende a prima: "Ela angariava pessoas na sua boa fé. Como eu, que arranjei mais gente. Afinal, as condições eram boas e ninguém desconfiou que fosse mentira".
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1172228