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Filas de 100 metros à porta do centro de emprego começam a ser habituais (1 mensagem)

Ao sol ou à chuva começa a ser habitual, no início de cada mês, uma fila que já dá a volta ao quarteirão, onde cerca de cem pessoas procuram tirar uma senha para se inscrever no centro de emprego de Sintra

No inicio de cada mês, por volta das 8:30 da manhã, é possível ver uma avalanche de pessoas que esperam, ao longo de mais de 100 metros de distância do centro de emprego de Sintra, pela abertura de portas do edifício.

Algumas das pessoas que se encontravam no local, quarta-feira, adiantaram à agência Lusa, que esta é uma prática cada vez mais habitual nos primeiros dias de cada mês.

Carlos Manuel da Costa, desempregado há três dias, foi a primeira pessoa a chegar às portas do centro de emprego, depois de no dia anterior ter chegado às 6h00.

«Estou desempregado e vim para ver se me inscrevo no fundo de desemprego. Já estive cá ontem mas faltava-me um documento portanto voltei cá hoje ainda mais cedo, às 5h30 da manhã», disse à agência Lusa, o munícipe de 58 anos.

Lamentando a enorme fila que encontrou em dois dias consecutivos, Carlos Manuel da Costa, responsabiliza a crise que recentemente obrigou o seu ex-patrão a abdicar dos seus serviços.

«Há uma crise muito grande de emprego. Eu saí da empresa porque há mesmo falta de trabalho e o meu ex-patrão tem tentado fazer tudo para se esclarecer como é que as leis funcionam», adiantou, acrescentando que o seu antigo patrão «diz que vai a todo o lado mas que ninguém o sabe informar em condições».

Às 8:45, o recente desempregado Pedro Silva chegou ao local e deparou-se com a presença de mais de cem pessoas à sua frente, tudo para conseguir uma ficha de atendimento.

Na casa dos trinta anos, Pedro Silva, residente em Almargem do Bispo, afirma que desde 2004 que se desloca uma vez por ano ao centro de emprego de Sintra, já que, no local onde trabalha, ao atingir os «dois contratos», volta a ficar «um mês por ano desempregado».

«Costumava vir sempre da parte da tarde e pela primeira vez vim de manhã. Assusta-me um bocado olhar para a frente e ver mais de cem pessoas à minha frente», disse, acrescentando não saber «se isto está sempre assim».

Algumas pessoas que se encontravam no local referiram que esta presença assídua de pessoas ao centro de emprego, se deve à recente crise e aos despedimentos, justificando que é precisamente no final do mês que a maioria dos trabalhadores vê os seus contratos terminados, recorrendo por isso, no início do mês seguinte, ao centro de emprego.

Segundo os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, em Janeiro, estavam inscritos no centro de emprego de Sintra 14.204 pessoas, sendo que 5.466 se encontram nessa situação há mais de um ano.

Estes números são, segundo o presidente da Associação Empresarial de Sintra (AESINTRA), Manuel do Cabo, «preocupantes» pois existem muitas empresas «que não aguentam esta situação de crise e portanto há reduções do número de postos de trabalho».

«Empresas com mais dificuldades acabam por fechar. Faz-se um grande sacrifício para aguentar este barco», disse à Lusa o responsável, elogiando a recente proposta aprovada pela câmara de Sintra que contempla a isenção e redução de taxas municipais, permitindo, por exemplo, que a ocupação do solo de esplanadas e a mudança de horários dos estabelecimentos seja feita sem encargos para os comerciantes.

Segundo Manuel do Cabo, neste tempo de «crise económica» o número de associados da AESINTRA oscila entre os quatro mil e os 4500 «porque há muitas entradas e muitas saídas».

«Se por um lado temos empresas que fecham, há efectivamente também empresas que abrem, e muitas. O crescimento do concelho de Sintra vê-se a olhos vistos pois temos cada vez mais pessoas a querer cá morar e isso origina também um crescente aumento do comércio», justificou.

Lusa/SOL

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=128337