2009.03.20 21:59 Vitor Almeida
(Lusa) - A maioria dos jovens do interior inquiridos no âmbito de um estudo divulgado hoje em Proença-a-Nova não demonstraram interesse em desenvolver um projecto pessoal ou profissional a nÃvel local, apesar de gostarem de viver lá.
O estudo, apresentado na conferência "Os territórios de baixa densidade em tempos de mudança", pela mestranda da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) Raluca Vieira, foi feito sobre jovens da Guarda.
Apesar de gostarem de viver nas suas terras, perto de 70 por cento dos inquiridos "não demonstrou interesse em desenvolver um projecto pessoal ou profissional a nÃvel local", referiu a investigadora, ao intervir no painel final de hoje, sobre "Iniciativas e empresas em espaço rural".
Contudo, os jovens inquiridos manifestaram vontade de se fixar nas zonas onde residem, porque gostam do ambiente e valorizam as relações familiares.
"Ninguém nasce empreendedor, os jovens não nascem empreendedores, têm de ser formados", vincou Raluca Vieira, ao insistir na necessidade de existir mais formação para o empreendedorismo.
No estudo "Os projectos empresariais dos jovens do interior", verificou-se também que "em Portugal, os jovens aos 30 anos ainda permanecem em casa dos pais, ao contrário do que acontece no resto da Europa".
"Há uma desresponsabilização relativamente à independência financeira e não projectam tanto as suas ideias a nÃvel empreendedor. Falta-lhes uma cultura de risco, para a qual é preciso formação", sublinhou.
Para Raluca Vieira, "é preciso fazer mais sessões sobre empreendedorismo para jovens e dotá-los de mais capacidades para terem mais confiança neles próprios e desenvolverem a sua ideia de negócio".
Moderado por Teresa Mendes, do Instituto Pedro Nunes, da Universidade de Coimbra, o painel contou também com intervenções de LuÃs Moreno, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, Miguel Torres, da ACERT (Associação Cultural e Recreativa de Tondela), e Pedro Hespanha, professor da FEUC.
"A cultura e o trabalho através da cultura é uma ferramenta fundamental para que as pessoas possam ficar no sÃtio que escolheram para viver", considerou Miguel Torres, que falou sobre alguns dos projectos da ACERT e do seu papel na consolidação da auto-estima das comunidades.
A conferência, organizada pela Câmara de Proença-a-Nova (Castelo Branco) e pelo Centro Ciência Viva da Floresta, termina sábado com um painel sobre "Património, identidade e desenvolvimento rural", a que se segue um percurso pelo concelho.
Os trabalhos decorrem no Centro Ciência Viva da Floresta, nas Moitas, Proença-a-Nova.