Lisboa, 12 Abr (Lusa) - O artesanato que se produz pelo concelho de Sintra está de regresso à Volta do Duche onde, a partir de hoje, os artesãos de Sintra mostram ao vivo o que de melhor se faz no artesanato português.
Lusa
12:58 Domingo, 12 de Abr de 2009
Lisboa, 12 Abr (Lusa) - O artesanato que se produz pelo concelho de Sintra está de regresso à Volta do Duche onde, a partir de hoje, os artesãos de Sintra mostram ao vivo o que de melhor se faz no artesanato português.
A mostra de artesanato realiza-se desde 2004, numa parceria entre a Câmara Municipal de Sintra e o Grupo de Artistas Vale de Eureka (Gave), todos os segundos domingos de cada mês até Outubro.
"Ela [associação Gave] foi fundada no Cacém porque entre nós [artesãos] achámos que havia muita gente a fazer artesanato em casa e num bairro tão pequenino havia tantos artesãos. Entre mim e mais duas pessoas falámos em montar uma associação para divulgar o artesanato e desde 2004, quando demos o pontapé de saÃda, temos tido muita sorte", explicou à Lusa o fundador e presidente da Gave, VÃtor Amaro.
Depois do arranque, a associação tem conseguido sempre vir a crescer e conta já com 150 associados, alguns já de fora do concelho de Sintra, sempre com o objectivo de não deixar morrer esta arte popular.
"Isto é mais para divulgar o nosso artesanato, que está um bocado em vias de extinção, e também para dar a conhecer os artesãos. Eles tem que estar a trabalhar ao vivo para verem que o artesanato é mesmo feito pela pessoa e que não vem da China", disse VÃtor Amaro.
Espalhados por um dos passeios da estrada da Volta do Duche, cerca de 20 artesãos montaram as bancas com artesanato tão diverso como molduras, relógios, caixas, figuras religiosas, bijutaria ou bonecas feitos em xisto, mármores, tecido, azulejos, madeira, croché ou rendas.
Manuel Farinha é um dos artesãos que, apesar do frio e da chuva iminente, mostra o seu trabalho. Especialista no trabalhar da pedra, faz peças em mármore, granito, tanto em baixo como em alto-relevo. Com pena, diz que já não é possÃvel viver só do artesanato e aponta que as vendas já viram melhores dias.
"Ultimamente estamos a atravessar um momento menos bom e as vendas não são como eram há coisa de dois ou três anos atrás. Desde essa altura até agora têm vindo a decrescer e ultimamente tem tido mesmo um decréscimo acentuado excepto quando há turismo, mas mesmo aà a gente sente que o próprio turista já não está muito comprador", disse este artesão de 58 anos.
Nada que, no entanto, demova Manuel Farinha de continuar a trazer o seu trabalho a esta e a outras feiras de artesanato.
"Não, não estou a pensar [deixar de vir] porque quanto mais não seja o divulgar já é bom e entretanto pode surgir algumas encomendas que me possam ser úteis", justifica.
SV.
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