Estudo revela que o trabalho nocturno aumenta a probabilidade de cancro. Governos e entidades patronais estão a analisar a relação e a atribuição de compensações aos trabalhadores.
LC 18:37 Quinta-feira, 26 de Mar de 2009
A Dinamarca indemnizou 38 mulheres que desenvolveram cancro de mama, depois de terem trabalhado mais de 20 anos em horário nocturno. Segundo um estudo da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), trabalhar de noite altera o ritmo do organismo e inibe a produção de melatonina - hormona que aumenta a probabilidade de incidência de cancro.
"É provável que os turnos de noite provoquem implicações que sejam cancerÃgenas para o ser humano", refere o relatório, citado pelo Financial Times, que coloca este risco a par dos produtos quÃmicos, esteróides anabolizantes, gases dos tubos de escape e lâmpadas de raios ultravioleta.
Investigadores, sindicatos médicos e doentes oncológicos estão a analisar a possÃvel relação, depois de a Junta Nacional Industriais da Dinamarca ter aprovado uma compensação até 134 000 euros para cada uma das funcionárias que desenvolveram cancro de mama.
O estudo mostra ainda que a produtividade de um trabalhador de noite é 30% menor que de dia, além de provocar stress, fadiga, dores de cabeça, alterações cardiovasculares e digestivas. No entanto, "o objectivo será limitar a actividade laboral nocturna por razões técnicas e sociais e não apenas por uma questão de rentabilidade ", garante Laurent Vogal, director do Departamento de Saúde e Segurança dos Sindicatos Europeus.
Cerca de um quinto dos trabalhadores europeus trabalham por turnos, sobretudo nos sectores da indústria, transportes e comunicações.